sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Estudo. Equação Biostronômica

No caso do planeta Terra parece que a zona habitável animal tem seu limite interno antes da órbita de Vênus que dista 108,2 milhões de Km do Sol, e seu limite externo antes da órbita de Marte que dista 227,9 milhões de Km do Sol, perfazendo desta maneira uma região circular que fica no ponto médio entre as órbitas destes dois planetas e que graças à atmosfera e o termostato de silicato de CO2 abrange quase 1/4 deste espaçamento.

IA = Porcentagem de ZE que apresenta inclinação axial e rotação adequadas e estáveis * =
1%.
A inclinação do eixo de rotação, por determinar as quantidades relativas de energia solar que atingem as regiões polares e equatorial, afeta diretamente o clima de um planeta que por sua vez afeta sua habitabilidade.

Certamente é salutar, para que um planeta seja habitável, que sua variação térmica não seja abrupta e extrema, e para isto é necessário que seu grau de inclinação seja moderado e não varie muito em pouco tempo. O planeta Terra demonstra estar em uma inclinação e rotação bastante adequadas para a vida, de maneira que associadas à translação promovem uma ampla e equilibrada distribuição da energia solar por meio das estações, do contrário, se o planeta apresentasse uma rotação muito lenta e um grau de inclinação axial muito maior ou menor é provável que suas temperaturas fossem extremamente contrastantes, provocando possivelmente até um efeito de congelamento irreversível e perda da atmosfera para o espaço.

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Estudo. Equação Biostronômica

E além de estar em uma medida adequada, a obliqüidade não variou mais de um ou dois graus em relação ao valor atual de 23º, e devemos isto a nossa lua de tamanho relativamente grande, que se não fosse por ela é provável que o eixo de rotação do planeta Terra apresentaria variação de 45° e o período de rotação de somente 10 horas.

O sistema solar possui
61 luas no total, todavia a nossa é a única que apresenta tamanho suficiente (1/4
do planeta Terra!) para gerar os efeitos observados sobre o planeta em torno do qual órbita. Então se o mérito de possuir uma lua como a nossa é tão considerável surge a pergunta: como ela se formou?

Existe uma teoria muito bem aceita e com indícios corroborativos (inclusive das missões Apollo) denominada modelo de Cameron e Canup: “Um corpo várias vezes mais maciço do que Marte atinge a extremidade da Terra, ainda na metade de seu desenvolvimento, com efeitos extraordinários. Após um golpe oblíquo, os dois corpos distorcidos se separam e, depois, se recombinam.

Os núcleos metálicos dos dois corpos se unem para formar o núcleo da Terra, enquanto partes dos mantos dos dois corpos são lançados em órbita e se acumulam para formar a Lua. Após a sua formação, a Lua espiralou para fora, processo que continua até a época atual. Para produzir uma Lua tão maciça, o corpo do impacto teve que ser do tamanho certo, teve de atingir o ponto certo do planeta Terra e o impacto teve de ocorrer no momento certo do processo de crescimento da Terra”.

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Não penso ser obrigatório ou inevitável conceber tal hipótese como a única válida, pois pode ocorrer a formação do satélite natural simultaneamente ao planeta ou ainda o satélite pode ter se formado distante e posteriormente ser capturado gravitacionalmente, contudo logicamente que suas características composicionais e estruturais irão diferir em conformidade com o tipo de processo de formação.

E ainda poderia ser feito o questionamento: E se existir algum outro mecanismo de estabilidade do eixo de rotação? Até que ponto os requisitos lunares x habitabilidade planetária são inflexíveis? Mas para que o raciocínio não acabe em pura especulação penso que a presença de um satélite natural relativamente grande é fator determinante na habitabilidade planetária. Devido tais considerações o fator IA acaba sendo o de mais baixa probabilidade devido sua combinação muito sutil de peculiaridades, por isto atribui a porcentagem relativamente baixa de
1%.

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Estudo. Equação Biostronômica

TC = Porcentagem de IA que possui massa e composição certas para que ocorra retenção atmosférica, campo magnético e tectônica das placas = 50% . Certamente que a massa e composição planetária, a retenção atmosférica, o campo magnético e a tectônica das placas estão diretamente correlacionados de maneira tão intrincada que torna-se difícil analisá-los separadamente:

1- Para que um planeta retenha uma atmosfera considerável ele deve possuir no mínimo a massa equivalente a 0,4
a massa da Terra, sem massa suficiente o planeta não possui atração gravitacional necessária para reter a atmosfera e gerar a tectônica das placas;

2-
Se não existisse tectônica das placas o planeta seria dominado ou por terra firme ou teria toda a sua superfície coberta por água. Para que ocorra tectônica das placas é necessário que o planeta possua massa suficiente, elementos radioativos em quantidade necessária para gerar calor interno, apresente vulcanismo, seja dividido em núcleo, manto e crosta e que estes níveis apresentem diferenças de viscosidade, sendo que a crosta não pode ser muito espessa e densa.

Mesmo se ocorresse vulcanismo sem os demais requisitos a tectônica não seria possível e por sua vez não existiriam grandes elevações de terreno, seria um planeta aquático com no máximo alguns vulcões pontilhando acima do nível do mar. Até que nível seres aquáticos podem evoluir?

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É possível desenvolver tecnologia em ambiente aquático?
3- Mesmo que ocorresse tectônica das placas no início da existência de um planeta e após cessasse com o passar do tempo, todo o relevo iria se erodir e sem tectônica das placas para levantá-lo atingiria o nível do mar, pois mesmo o efeito de reação isostática seria superado pela erosão. Como a vida oceânica, conforme se apresenta, depende em grande parte dos nutrientes de superfície, o mar sem que haja também continentes, iria apresentar uma diversidade de espécies bem menor;

4- Conforme já mencionado no item 4 do fator ZE, existe um mecanismo natural denominado termostato de silicato de CO2
que regula a temperatura do planeta Terra de maneira imprescindível, necessitando para isto da tectônica das placas, água de superfície e vulcanismo;

5-
Se não houvesse campo magnético a Terra seria fustigada pela radiação cósmica, pois no espaço exterior o que não faltam são raios cósmicos, raios gama e partículas elementares – elétrons, prótons, núcleos de hélio e núcleos mais pesados – deslocando-se em velocidades próximas à da luz, oriundos de várias fontes. O nosso campo magnético funciona como um escudo protetor que rechaça tais partículas nocivas e também contribui para que nossa atmosfera não se perca no espaço, tal campo magnético é efeito de dois fatores: núcleo metálico + rotação planetária.

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Dentro ou próximo da ecosfera do nosso próprio sistema solar o único planeta além da Terra que poderia cumprir todos os requisitos do fator TC seria o planeta Vênus: possui massa de 0,81 vez a da Terra, é dividido em núcleo, manto e crosta, cujas características até onde se tem conhecimento não diferem muito com relação à da Terra, possui campo magnético e vulcanismo.

Contudo pelo fato de estar muito próximo do Sol, por apresentar uma rotação muito lenta (
243 dias terrestres) e não possuir uma inclinação axial adequada o mecanismo de termostato de silicato de CO2 não funciona, acumulando CO2 e gerando um efeito de estufa muito acentuado que eleva sua temperatura a 480Cº e sua pressão atmosférica a 90
vezes a da Terra.

Se não fossem estes fatores possivelmente teríamos dois planetas habitáveis somente no nosso sistema solar. Deste modo, poder-se-ia dizer tranqüilamente que um a cada dois sistemas planetários do fator IA possui pelo menos um planeta com massa e composição certas para que ocorra retenção atmosférica, campo magnético e tectônica das placas.

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CA = Porcentagem de TC que apresenta composição, pressão e temperatura atmosférica adequadas* = 65%. Como já mencionado nos fatores anteriores, os metazoários complexos suportam uma faixa térmica de 2°C a 45°C, a pressão não pode ser muito superior a 1 atm e o ambiente não pode ser muito básico, alcalino, ácido ou salgado, sendo que conseqüentemente todas estas propriedades estão diretamente ligadas as características do planeta e sua atmosfera.

Logicamente que a própria presença da vida torna o meio ambiente adequado para sua manutenção, pois os principais constituintes atmosféricos são processados e reciclados em escalas de tempo curtas via processos biológicos, fazendo com que a atmosfera biótica difira bastante de uma atmosfera abiótica.

Mas é evidente que para a vida microbiana poder surgir e preparar o ambiente para os vegetais e animais e estes interagirem é necessário que preexistam elementos básicos essenciais. Interessante observar que se o planeta, ou planetas, satisfazerem os requisitos de todos os fatores anteriores a probabilidade é muito grande de apresentarem sua própria composição e sua atmosfera com composição, pressão e temperatura adequadas para a vida animal complexa, porém como o fator CA refere-se a características planetárias físico-químicas muito sutis, potencialmente instáveis e delicadamente interligadas, resultando que sua porcentagem acaba por não ser muito próxima de
100%.


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Quanto à composição planetária subtende-se a massa necessária para reter a atmosfera (que provavelmente já seria adequada por ter satisfeito o fator TC) os elementos químicos e compostos biogênicos e quanto à composição atmosférica subtende-se os tipos de gazes elementares à vida e a quantidade de água presentes na atmosfera desde a superfície, listo alguns:

Carbono - Considerado “espinha dorsal da vida” por ser um elemento químico que pode promover ligação covalente quaternária, ou seja, pode ligar-se simultaneamente com quatro outros elementos, sendo esta uma ligação química na medida certa, nem muito forte e nem muito fraca que possibilita a formação de moléculas bastante complexas e extensas.

Sem contar que este elemento entra na composição de compostos importantes como o dióxido de carbono (
CO2).
Oxigênio - A vida pelo que tudo indica seguiu a seguinte seqüência na geração orgânica de energia: fermentação - fotossíntese – respiração anaeróbica e respiração aeróbica, sendo o último tipo, que faz uso do oxigênio molecular, o de maior rendimento.

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Este elemento químico também é considerado essencial na precipitação de minerais constituintes dos esqueletos dos animais, sem contar que atomicamente entra na composição da água (H2O) e do gás ozônio (O3) que constitui a camada de ozônio (nosso escudo protetor contra os raios ultravioletas).

Nitrogênio - Forma um gás estável que ajuda na reciclagem dele próprio entre os organismos e o meio ambiente e entra na composição de compostos biogênicos, como por exemplo, nas bases nitrogenadas do DNA.

Ferro, níquel, magnésio e silício – Formam o núcleo, manto e crosta do planeta Terra, contribuindo com suas características fisicamente intrínsecas para gerar os continentes e também os fenômenos geológicos e atmosféricos que contribuem para a habitabilidade do planeta, sem contar que o ferro iônico é indispensável para a ocorrência da fotossíntese e da respiração celular e também o silício seguido dos demais metais são importantes componentes tecnológicos.

Urânio, tório e potássioSão elementos que por meio de seus decaimentos radioativos geram o calor interno do planeta que por sua vez gera atividade geológica como ondas de convecção térmica, vulcanismo que juntamente com a tectônica das placas recicla o
CO2
no processo de estabilidade térmica e também gera os continentes.

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Fósforo – É um elemento biogênico que desempenha importantes funções nos vegetais e entra na constituição dos ossos e também contribui no metabolismo e reações de desdobramento de carboidratos nos organismos.

Água –
Como já muito bem se sabe é o “solvente universal” imprescindível nos mais diversos tipos de reações químicas e metabólicas, no ambiente e nos organismos, que possibilitam a existência da vida. Sua quantidade em forma líquida na superfície e na forma de vapor na atmosfera está diretamente ligada na manutenção da temperatura por meio de sua propriedade de retenção térmica e por sua importante participação no processo de termostato de silicato de CO2 e na possibilidade da existência de continentes, pois se houvesse o dobro de água o planeta seria aquático (com pH e salinidade diferentes) e se houvesse muito menos, por vários fatores correlacionados, provavelmente nós não existiríamos para tratar deste assunto...

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Estudo. Equação Biostronômica

Dióxido de carbono – Essencial à fotossíntese e conforme já mencionado é o principal gás de estufa, de modo que sua quantidade na atmosfera vai determinar se o planeta será como a Terra, se entrará em um efeito estufa descontrolado como Vênus ou em um congelamento criogênico como Marte.

PV = Porcentagem de CA em que a vida surgiu =
90%. Tem-se como muito evidente que para que surjam seres multicelulares que possam originar animais altamente complexos se faz necessário primeiramente o surgimento de seres unicelulares tanto no sentido de progressão da complexidade morfofisiológica como no modelamento do meio ambiente para que possam surgir os metazoários desenvolvidos.

E este é um raciocínio tão lógico que é plausível de generalização a nível universal. Mas quanto à questão da possibilidade de surgimento da vida a nível mais simples, como a vida microbiana unicelular, pergunto: habitabilidade resulta inevitavelmente em habitação?

Ou seja, se um planeta possui todas as condições de gerar a vida ela surge espontaneamente? Utilizar a teoria da panspermia para explicar o surgimento da vida em um planeta iria simplesmente transferir o problema para outro lugar, mesmo que se argumentasse que é mais fácil a vida surgir uma só vez em um lugar do que em vários, até concordo, mas em compensação como ela se espalharia pela galáxia inteira de modo físico e cronológico viáveis?

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Sendo assim, se eu acreditasse em uma “panspermia galáctica” não perderia meu tempo elaborando esta equação, pois por vários fatores que nem preciso citar, o resultado provavelmente não passaria de 1. Se é para considerar a panspermia como válida, que esta seja local, como em âmbito de sistema planetário. Todavia a vida teria que surgir em algum lugar do sistema planetário, e onde seria este lugar?

Ora, logicamente em um lugar onde houvesse condições. No caso do sistema solar qual é o planeta que possui as melhores condições bióticas? Isso mesmo, a Terra, mas e no passado não poderia ter sido Marte, e esta posteriormente ter “fecundado” a Terra?

Pois é, o mecanismo é viável e a distância não é intransponível, prova disto são a meia dúzia em média de asteróides marcianos que atingem a Terra por ano, e estudos indicam que microorganismos poderiam sobreviver no interior de tais asteróides, mesmo em vista da severidade do choque mecânico de ejeção aterragem e a radiação espacial envolvidos no processo.

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Contudo não resolve muito transferir o problema para o planeta vizinho se a resposta para a primeira questão estiver pendente. Antigamente acreditava-se na “geração espontânea” na qual pensava-se que animais pudessem surgir quase que instantaneamente de lodo e matéria em petrificação.

Ironicamente após séculos de pesquisas científicas se constatou que a geração espontânea é cabível, porém o que difere do pensamento arcaico é o fator tempo. Ou seja, é possível que a vida tenha surgido da matéria inanimada, contudo não foi de modo instantâneo, foram necessários milhões de anos de reações físico-químicas.

E não vemos contemporaneamente surgir novos tipos de vida espontaneamente da matéria inanimada porque o ambiente atual é muito diferente do ambiente da “terra primordial” e como já existem incontáveis organismos qualquer novo tipo de vida que começasse a se formar bioquimicamente seria logo devorada.

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Certamente que as condições da Terra primordial são bem diferentes em relação às condições atuais, a diferenciação dos materiais fundidos da Terra primeva teria permitido a liberação de componentes gasosos formados em seu interior.

Vulcões modernos liberam gases quando o magma é trazido à superfície, os quais nos indicam a composição da atmosfera primordial da Terra: vapor d’água
(H2O), gás carbônico (CO2), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), cloreto de hidrogênio (HCl), nitrogênio (N2) e hidrogênio (H2
) moleculares.

A atmosfera da Terra primordial foi provavelmente rica em
CO2, talvez tanto quanto as atmosferas de Vênus e de Marte. O efeito estufa resultante foi importante para manter a Terra moderadamente aquecida após a consolidação de sua crosta. Na época, o jovem Sol tinha cerca de 80%
de sua luminosidade atual, o que causaria condições glaciais no globo sob as pressões terrestres, não fosse pelo efeito estufa da atmosfera primeva.

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É provável que a Terra tenha adquirido parte de sua água e das substâncias necessárias às reações precursoras da vida a partir de colisões com cometas, sendo este um aspecto positivo do bombardeamento de um planeta por cometas quando ocorre em um período inicial de formação.

Vapor d’água teria se condensado na atmosfera terrestre e chovido de volta sobre a superfície, cobrindo a crosta primitiva com lagos, mares e por fim oceanos. O ciclo das chuvas teve um importante papel no resfriamento do planeta: ao evaporar, a água absorvia calor do oceano de magma exposto à atmosfera ou coberto pela tênue crosta; mais tarde, ao se condensar na alta atmosfera, a água irradiava esse calor para o espaço.

A ausência de oxigênio molecular na atmosfera primitiva, impossibilitava a formação de uma camada de ozônio e as radiações que percorriam essa atmosfera atuavam fotoquimicamente favorecendo a existência de grande quantidade de moléculas ionizadas e reativas.

Teríamos um ambiente quimicamente redutor e formador de aglomerados cada vez mais complexos de átomos. Miller comprovou em laboratório que em tais circunstâncias podem se formar aminoácidos, nucleotídeos, açucares e bases nitrogenadas.

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Estudo. Equação Biostronômica

Esses entes químicos se polimerizam para originarem as principais macromoléculas das células. Catalisadores minerais, calor, altas concentrações de fosfatos foram provavelmente os promotores dessa polimerização inicial. A relativa rapidez no surgimento de novos polímeros depois do início comentado acima, poderia ser explicada pela capacidade catalítica de certas macromoléculas.

Porém para que moléculas viessem a formar sistemas vivos elas precisariam ter o poder de reprodução. Tanto o surgimento da vida como a sua reprodução implica em DNA (ácido desoxirribonucléico), só que a maneira como as primeiras moléculas de DNA surgiram na Terra é algo ainda incerto no meio científico.

Inobstante sabe-se que o desenvolvimento do DNA - e finalmente, da vida – requer os seguintes ingredientes e condições: energia, aminoácidos, fatores que possibilitem a concentração química, catalisadores e proteção de radiação forte ou calor excessivo. A evolução química da vida envolve quatro passos:

1- Síntese e acumulação de pequenas moléculas orgânicas, como aminoácidos e moléculas denominadas nucleotídeos. A acumulação de substâncias químicas chamadas fosfatos teria sido uma condição importante, por serem a “espinha dorsal” do DNA e RNA (ácido ribonucléico).

2- Junção dessas pequenas moléculas em moléculas maiores como proteínas e ácidos nucléicos.

3- Agregação das proteínas e ácidos nucléicos em gotículas
que assumiram características químicas diferentes do ambiente circundante.

4- Replicação das moléculas complexas maiores e o estabelecimento da hereditariedade. A molécula de DNA é capaz das duas coisas, mas precisa da ajuda de outras moléculas, como o RNA. No que diz respeito a este conjunto de informações que compõem uma espécie de teoria da “neo-geração-espontânea”, particularmente considero a explicação mais lógica e convictamente conceptuo que se o ambiente apresentar condições adequadas é muito mais provável que os fenômenos físicos e químicos gerem um ambiente biótico, do que este simplesmente permanecer abiótico.

Tal resposta da minha parte sinceramente não é puramente movida por “tendência bioastronômica”, mas sim por uma conclusão que foi se formando no transcorrer de muito tempo. Já houve a suspeita que a 2ª lei da termodinâmica denominada entropia agiria de maneira antibiótica, tendo em vista que ela dita ao universo físico uma tendência inexorável à desorganização (logicamente que não se resume nisto, e o termo organização é usado para que haja maior inteligibilidade).

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Estudo. Equação Biostronômica

Todavia atualmente já é bem sabido cientificamente que esta lei física é válida somente para sistemas energeticamente fechados. O universo como um todo é um sistema energeticamente fechado, porém ele apresenta pontos que formam localmente sistemas energeticamente abertos.

As estrelas são fontes de energia, e esta energia pode ser usada para a organização biológica (como ocorre no planeta Terra), ou seja, o universo como um todo está aumentando sua entropia e por conseqüência se “desorganizando” lentamente, mas possui pontos localizados (como os sistemas planetários que são energeticamente abertos) em que existe grande disponibilidade de energia “organizadora” em fluxo.

Neste raciocínio de organização faz-se necessário o discernimento, pois não é comparável, por exemplo, à probabilidade ou possibilidade de um relógio automontar-se sozinho, porque o relógio é um aparelho complexo desenvolvido artificialmente e composto de várias partes que a priori não possuem intrinsecamente a tendência “automática” de se unirem congruentemente de maneira que o padrão e estrutura não estão naturalmente conectados.

Diferentemente da biologia que é gerada pela química que por sua vez é gerada pela física, sendo que esta última é composta de elementos a nível subatômico e quântico que se correlacionam por um processo natural que incorpora o padrão de organização continuamente na estrutura, por seguir a “lógica mecânica” e natural das leis da física que dão forma ao universo.

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Como Einstein mesmo expressou “Deus não joga dados”, portanto não se resume simplesmente em uma loteria (ou jogo), ou na probabilidade de peças se unirem sozinhas ou aleatoriamente para formar um relógio (ou organismo), e sim trata-se de vários níveis de conseqüências (que neste caso geram organização), cujas causas seguem as propriedades universais intrínsecas da matéria, energia e tempo.

A própria Autopoiese, conforme mencionado no fator EB, nos mostra que a vida apresenta interações inerentes que de certa forma extraem sistematicamente o qualitativo do quantitativo, um exemplo na genética é a pequena diferença na composição dos genes entre o chipanzé e o ser humano (menos de
2%!), e você diria que difere mentalmente e fisicamente menos de 2% dos chimpanzés?

O que ocorre neste caso é que não importa a semelhança quantitativa, mas sim a maneira que os genes se correlacionam no sistema formando o diferencial qualitativo. Em suma quero dizer que tenho consciência plena que a vida é algo muito complexo e delicado que necessita de incontáveis fatores para surgir e se manter (como a própria equação demonstra), porém creio, baseado em vários estudos, que a matéria da maneira que se apresenta possui propriedades inerentes que geram uma propensão biótica natural, de modo que quando isto é combinado de maneira adequada por tempo suficiente a vida aflora.

Portanto é possível que existam universos com características físicas que não possibilitem o surgimento da vida, por mais simples que seja, até porque sabemos que se os quarks ou elétrons do “nosso universo” possuíssem alguma propriedade física diferente ou em intensidade maior ou menor, provavelmente os átomos não teriam se formado, e muito menos as moléculas, células e organismos.

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E gostaria de salientar que quando sigo tal raciocínio, não estou necessariamente me guiando pelo pensamento teleológico em que a matéria é da maneira que é objetivando o surgimento da vida, e também não estou querendo ser cético e mecanicista no sentido de artificializar plenamente o universo.

Na verdade penso que o bom-senso é o melhor caminho, de maneira que neste aspecto possivelmente está tudo correlacionado acima de uma conceitualização convencional de causa e efeito e talvez não passem simplesmente de interpretações subjetivamente diferentes ou até faces diferentes de uma mesma “realidade”.

Por fim, como sabemos que para o surgimento da vida microbiana (ainda mais sendo extremófila) as condições do planeta não precisam cumprir a maioria dos fatores da equação, de maneira que deve ser abundante na Galáxia, e como todos os fatores que antecedem o fator PV estão ajustados e computados nos rigorosos parâmetros condizentes às necessidades para o surgimento e manutenção de metazoários complexos, de modo a gerar um processo semelhante à Terra, concluo que
90%
para o fator PV em específico acaba por não ser uma porcentagem exagerada.

EB = Porcentagem de PV em que após surgida a vida, esta passou por evolução biológica bem sucedida, gerando efetivamente deste modo metazoários grandes e complexos =
55%.
No planeta Terra a evolução foi contínua e pontual, ou seja, nunca cessou totalmente, todavia houve momentos de “saltos evolutivos”.

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Destes momentos o que mais surpreendeu os pesquisadores foi a denominada Explosão Cambriana que ocorreu entre 600 e 500 milhões de anos atrás. Foi neste evento que pela primeira vez foram gerados metazoários complexos, isto significa que a vida demorou em torno de 800 milhões de anos para surgir, enquanto para surgirem animais demorou 3 bilhões de anos!

O inverso do que se poderia imaginar por meio de uma dedução mais simplista, e por que após o surgimento da vida foi necessário
4
vezes mais tempo para que surgissem os animais ? Estudos indicam que de uma maneira muito complexa e intrincada o ambiente foi se modificando de maneira que após chegar a uma situação de grande potencial biótico, a vida pôde explorar todas as possibilidades de maneira a gerar seres de maior porte e complexidade morfofisiológica.

Fazendo uma analogia sintetizada, é como se os seres procariotas fossem as “sementes”, os seres eucariotas as “árvores frutíferas” e os seres metazoários os “frutos”, nesta analogia o que falta? O solo, que é a própria Terra, a água e o fertilizante.

O solo e a água já existiam desde que as sementes foram plantadas (ou geradas), e o fertilizante? Aqui que está o “x” da questão, o fertilizante (nutrientes) foi sendo produzido e liberado lentamente no ambiente por incontáveis processos de combinação, recombinação e interações químicas para gerar os compostos mencionados no fator CA em interação com as condições físicas, como por exemplo, a camada de ozônio, a separação e extensão dos continentes, a adequação e estabilidade térmica etc. Porém o mais interessante é que o fertilizante não é somente de ordem física e química, mas também de ordem biológica.

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Pois como a própria conceituação da ciência sistêmica denominada Autopoiese nos mostra que a vida com o passar do tempo modifica as condições ambientais e modifica a si mesma numa espécie de ciclo auto-organizador e auto-ajustável, por meio da sua própria atividade químico-metabólica e pelos mecanismos evolutivos já bem elucidados de co-evolução, replicação, mutação e seleção que vai do microcosmo químico ao macrocosmo biológico, deste modo observam-se fenômenos a nível molecular que lembram organismos nos seus processos de sobrevivência e evolução.

Sendo assim me pergunto: em quantos planetas este processo, que vai das “sementes aos frutos”, foi bem sucedido? Levando em consideração que para se chegar ao fator EB foram cumpridos vários requisitos dos fatores anteriores (que por sinal não são poucos), penso que a probabilidade de
55% não é ED = Porcentagem de EB em que houve poucos eventos naturais com capacidade de esterilização total em período inicial de formação biótica no planeta e nenhum após evolução biológica bem sucedida =
60%.

Não adiantaria se a vida começasse a se desenvolver e fosse repetidamente submetida a fenômenos naturais letais (como tende a ocorrer em sistemas planetários recém formados), e muito menos, se depois de desenvolvida, for acometida por um desastre planetário de proporções dizimantes como os listados abaixo:

Proximidade de supernova - A emissão eletromagnética e na forma de radiação cósmica de uma supernova em uma distância igual ou inferior a 30 anos-luz seria letal para a vida. Este tipo de evento provavelmente é mais freqüente no centro da galáxia devido sua maior densidade estelar.

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Movimento para fora da zona habitável animal - A ocorrência de movimento de um planeta para fora de uma órbita que possibilite temperaturas moderadas e não muito oscilantes com certeza acarretaria extinção em massa. Tal evento ocorre pela perturbação gravitacional entre planetas ou estrelas, de modo que deve ser comum em aglomerados estelares.

Mudança na emissão de energia da estrela central - Com o passar do tempo as estrelas vão aumentando gradualmente sua emissão de energia, mais rapidamente quanto maior for sua massa. De maneira que quando isto ocorrer, será extinta toda a vida que por ventura exista em algum planeta em sua órbita.

Mudança no tempo de rotação do planeta - Se um planeta possui vida adaptada para uma certa rotação, que por sinal não pode ser muito rápida nem muito lenta, a mudança brusca no ritmo da rotação acarretará em mudanças climáticas que provavelmente provocarão extinção em massa.

Jatos de raios cósmicos e explosões de raios gama - Estas explosões são as mais poderosas do universo, de maneira que uma única explosão destas seria capaz de exterminar a vida de grande parte de uma galáxia. Postula-se que sejam causadas pela fusão de estrelas de nêutrons e que sua freqüência seja em média de 100 milhões de anos, com maior probabilidade de ocorrência no centro da galáxia.

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Mudança climática catastrófica - A redução ou aumento da emissão estelar, a mudança de órbita de um planeta em relação a seu sol ou ainda a quantidade irregular de CO2 e H2O podem gerar dois fenômenos conhecidos como Depósito de Gelo e Estufa Descontrolada, cujos exemplos potenciais são Marte e Vênus.

Impacto de um cometa ou asteróide - Todo sistema planetário depois de formado fica cheio de escombros cósmico: asteróides e cometas, resíduos remanescentes da formação planetária. A freqüência estimada destes impactos é inversamente proporcional às dimensões do meteoro, ou seja, quanto maior for menor é sua probabilidade de ocorrência (isto porque a formação e fragmentação de meteoros tende a ser em tamanhos menores do que maiores), de modo que no caso do planeta Terra estima-se que a cada
65 milhões de anos pode ocorrer um impacto de grandes proporções, como por exemplo, o que provavelmente ocasionou a extinção dos dinossauros (que neste caso beneficiou os mamíferos).

Tendo em vista que o fator ED refere-se a planetas que satisfizeram todos os “fatores de segurança” anteriores penso que
60% é uma porcentagem plausível. VI = Porcentagem de ED em que surgiu vida inteligente e autoconsciente = 15%.

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Depois de um planeta ter satisfeito todos os requisitos em todos os aspectos a ponto de gerar metazoários complexos em um ambiente que possibilite a sua sobrevivência, há algo ainda por vir? Por experiência própria podemos responder que ainda existe mais um estágio evolutivo: a inteligência.

Mas será que realmente pode-se considerar como mais um estágio evolutivo de grande probabilidade de ocorrência? Pergunto isto por dois motivos:

1º-
Cogita-se que o aparecimento da inteligência é altamente fortuito, não sendo regra natural (ou de grande propensão) no quadro dos processos biológicos;

2°-
Muitos não consideram a inteligência como um avanço evolutivo no que diz respeito à sobrevivência.

Temos então que refletir a respeito de tais questões. A priori o tecido nervoso, apesar de suas características não tão convencionais, pode ser estudado inteiramente em sua estrutura física de maneira palpável, sendo deste modo somente mais um tecido dos vários que compõem grande parte dos animais.

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Contudo a questão torna-se muito complexa no que diz respeito a seu funcionamento, ainda mais quando deixa de ser um simples neuro processador de coordenação motora, como nos animais menos desenvolvidos, para tornar-se um encéfalo, com sua parte mais desenvolvida denominada cérebro.

A questão é mais complexa do que comparar uma calculadora de bolso com um super computador “Earth Simulator”, pois o funcionamento do cérebro, com suas sinapses químico-elétricas, possibilita atividades que fogem do campo puramente de causa e efeito físico-químico e processamento de informações, passa-se para o campo totalmente abstrato do raciocínio complexo, matemática, sentimentos e algo ainda mais impressionante:

a) consciência e a autoconsciência! Ou seja, como é possível que um órgão de aproximadamente
1,4
kg possibilite a construção de um universo inteiro de subjetividade?

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Estudo. Equação Biostronômica

O cérebro humano é caracterizado pela quantidade de sinapses equivalente a 2 elevado a décima terceira potência, por conseguinte o número de diferentes configurações funcionais de um cérebro humano equivale a 2 multiplicado por ele mesmo 10 trilhões de vezes.

Esse é um número imensuravelmente grande, muito maior que o número total de partículas elementares (elétrons e prótons) em todo o Universo! Isto demonstra que dois seres humanos mesmo sendo parecidos jamais poderão ser idênticos e explica também a imprevisibilidade do comportamento humano.

Nos últimos anos tem-se tornado clara a existência de micro circuitos no cérebro. Nesses micro circuitos os neurônios constituintes são capazes de uma variedade muito maior de respostas do que “sim” ou “não” dos elementos comutadores contidos nos computadores eletrônicos.

A existência desses micro circuitos sugere que a inteligência pode ser o resultado não apenas da importância da relação entre as massas do cérebro e do corpo, mas também da abundância de elementos comutadores no cérebro.

Os micro circuitos tornam o número de estados cerebrais possíveis ainda maior que o que calculamos anteriormente, e assim corroboram ainda mais a espantosa singularidade de cada cérebro humano. Os computadores eletrônicos modernos são capazes de processar informação em uma velocidade
10 bilhões de vezes maior que o cérebro, contudo o cérebro é dez mil vezes mais concentrado em termos de informação do que o computador.

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Estudo. Equação Biostronômica

Desta maneira o cérebro deve ser extraordinariamente bem engendrado e interligado, com um conteúdo de informação total tão pequeno e uma velocidade de processamento tão lenta, para ser capaz de realizar tantas tarefas importantes de modo tão melhor do que o mais aperfeiçoado computador.

Seguindo-se a cadeia evolutiva desde os peixes até os primatas se observa um aumento contínuo no tamanho do cérebro e modificação no seu formato para que possa alojar mais células nervosas, sendo este tamanho diretamente proporcional à capacidade neural destes animais.

Quer dizer que é só aumentar a quantidade de neurônios (em relação a proporção corporal) para que se transforme um peixe (que não passa de um autômato orgânico) em um ser humano capaz de construir naves espaciais, radiotelescópios e também amar?

Creio que de certa maneira a resposta para esta pergunta seja afirmativa, todavia pelo que tudo indica não é somente um fator quantitativo, e sim também, um fator qualitativo. Estou abordando o pensamento sistêmico novamente: o cérebro é uma estrutura em forma de circuito fechado que por meio da transmissão de seus sinais a maneira de ciclos que interagem entre si, das partes para o todo e do todo para as partes geram uma infinidade de combinações muito complexas que ao mesmo tempo em que compõem e modificam dinamicamente a estrutura são também compostas e modificadas por ela.

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Em outras palavras, a quantidade de células nervosas é importante num sentido em que vai possibilitar um maior número de combinações de ciclos de transmissão de sinais que vão gerar um sistema potencialmente maior em seu funcionamento, tanto no sentido de estrutura como na maneira em que as partes vão se correlacionar para formar este sistema dinâmico como um todo, que em última instância é o fator diferencial.

Em alguns aspectos, existem os que gostam de comparar a mente humana e também o universo a um holograma, em que as partes estão no todo e o todo nas partes, de maneira que as partes somadas vão resultar em um todo múltiplas vezes maior, proporcionalmente a quantidade de peças em um ciclo multiplicativo que apesar de fechado é potencialmente infinito.

Por isto que o funcionamento do cérebro, os códigos e a forma que ele utiliza para interpretar, processar, armazenar e transferir informações (e sentimentos) é ainda tão ininteligível, mas é impressionante e maravilhoso verificar que com o passar do tempo o universo consegue transformar partículas subatômicas em pensamentos e sentimentos, como Carl Sagan expressou: “O universo precisa somente de tempo para poder observar a si mesmo”.

Agora que em resposta à primeira questão foi exposto que apesar da inteligência e da consciência extrapolarem o âmbito da matéria existe a possibilidade de se originarem dela, não sendo desta maneira um evento extremamente fortuito, vem a segunda questão: a inteligência e a consciência são atributos positivamente selecionáveis?

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Conforme nos informa a teoria sintética da evolução os fenômenos de mutação, recombinação, migração, oscilação genética e seleção natural determinam os genótipos-fenótipos que existem, em outras palavras, as variações genéticas, em todos seus modos de manifestação, são selecionadas inexoravelmente pelo meio ambiente.

E é interessante observar que não é somente a física e química do ambiente que selecionam a biologia (organismos), mas também a própria biologia influencia neste processo de seleção por meio dos diversos tipos de interações entre os organismos vivos, como por exemplo, a co-evolução e a seleção sexual.

As bactérias existem há bilhões de anos e nem por isto necessitam de inteligência e muito menos de consciência, muitos animais povoam a Terra há muito tempo com muito pouca inteligência e quase nenhuma consciência. Então o que estamos fazendo aqui, seres inteligentes e autoconscientes, a implacável seleção natural foi boazinha conosco?

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Certamente não, a inteligência e a consciência devem possuir suas vantagens, listo algumas possibilidades:

1- Auxiliam na elaboração de meios de exploração dos recursos potenciais do meio ambiente;

2-
O caçador que tiver capacidade de planejar e também prever o comportamento da presa terá vantagem seletiva;

3-
Na criação de maneiras de se defender de predadores e das intempéries da natureza;

4-
As técnicas na agricultura, como conseqüência da inteligência, possibilitaram melhoria qualitativa e quantitativa na produção de alimentos;

5-
Na convivência organizada e estável em grande grupo de inter-relações complexas (ou sociedade) certamente são fatores benéficos;

6-
A inteligência possibilita a criação de técnicas no âmbito da higiene e medicina que colaboram sobremaneira na manutenção e preservação do organismo, prova disto é o aumento gradual da taxa média de tempo de vida da espécie humana.

Neste caso o fenótipo selecionado é mais comportamental do que físico, mas não um comportamento somente herdado, programado pelos instintos, mas também um comportamento complexo e consciente, um comportamento auto gerado, sendo isto uma inovação na natureza, pois até então a transferência de informação ocorria mecanicamente a nível genético, agora ocorre a nível abstrato e subjetivo por meio de neuro processadores altamente desenvolvidos e no futuro, por ventura será por meio de cérebros eletrônicos?

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Pode-se constatar que a inteligência por sinal não é imprescindível à sobrevivência, que para o surgimento desta é muito provável que necessariamente ocorram uma seqüência de eventos complexos e que evolução nem sempre resulta em aumento de complexidade morfofisiológica.

Deste modo concordo com a visão mais cética de que a inteligência desenvolvida a nível de autoconsciência não tende a surgir em todos os planetas mesmo em condições ambientais adequadas, porque deve haver também eventos biológicos e bióticos adequados.

Sendo assim espero que pelo menos
15%
destes planetas possuam as condições necessárias, ou seja, que satisfaçam todos os requisitos de todos os fatores anteriores e também sejam suficientemente antigos para que este nível mental mais avançado possa ter surgido.

VS = Porcentagem de VI que não se autodestruiu =
70%.
Em uma equação que estima (ou pelo menos tenta estimar) o número de planetas na galáxia com vida inteligente e autoconsciente (NPI), além de considerar a quantidade que a galáxia foi capaz de gerar e que não foi destruída por algum evento natural deve também considerar a quantidade que não se autodestruiu.

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Existe um estudo chamado “Cérebro Triúno” que traça uma analogia fisiopsico-neural da espécie humana, este estudo informa que o encéfalo como um todo possui três camadas, da mais antiga, posição intra-inferior, para a mais recente, posição exo-superior:

-Complexo Reptiliano:
herdamos dos nossos distantes antepassados répteis, e neste estão armazenados todos os nossos instintos mais primevos como fome, territorialidade, acasalamento, hierarquia, submissão à rotina e admite-se também que a ele associam-se a neurose, hostilidade e a perfídia.

-Cérebro Límbico:
desenvolveu-se sobre o Complexo Reptiliano, e este abrange as emoções, principalmente o comportamento fraterno para com os semelhantes e em especial no que diz respeito aos cuidados com a prole.

-Neocórtex:
compreende a parte mais recente do “cérebro triúno”, essa região altamente desenvolvida comporta a consciência, permite-nos cumprir as tarefas associadas ao intelecto e ao poder criativo, conferindo-nos a capacidade de ler, escrever, falar, compor músicas, pintar, realizar cálculos matemáticos, etc.

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Deste modo, o ser humano apesar de suas qualidades intelectuais (que alguns chamariam também de espirituais) e das façanhas científicas que consegue alcançar, ainda carrega consigo instintos primitivos de seus remotos antepassados.

E estamos em uma fase que eu chamaria de evolucionariamente transitiva em que ocorre um grande conflito de valores na espécie humana. No passado é possível que a insensibilidade, territorialidade, hierarquia e hostilidade tenham contribuído para a sobrevivência dos répteis e mamíferos, mas e para nós hominídeos Homo Sapiens Sapiens?

Seres que, como a própria denominação indica, “sabem que sabem”, ou seja, possuem autoconsciência, será que tais animalidades já não estão ultrapassadas e incompatíveis a ponto de nos ameaçar com a própria autodestruição?

Parece ainda existir na nossa espécie uma grande tendência codificada geneticamente no que diz respeito, entre outras coisas, a querer ser o “chefe do bando”, e esta tendência faz com que utilizemos (em alguns mais em outros muito menos, conforme o nível de esclarecimento e auto entendimento individual) nossa racionalidade de maneira “irracional”.

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Exemplo empiricamente testemunhável disto são as guerras que geram gastos exorbitantes e sofrimento incomensurável, sem contar com os gastos em manutenção e aquisição bélica em tempo de paz. Sabemos que as guerras originaram avanços tecnológicos e contribuíram no controle da densidade demográfica a nível mundial, mas será que é o único modo de se obter tais resultados?

Com certeza a belicosidade, além de não ser a única solução para o entendimento entre nações é certamente a maneira menos inteligente, ainda mais atualmente que uma
guerra mundial tem o potencial de extermínio a nível global. As nações do planeta gastam mais de 1 trilhão de dólares anualmente com material bélico, parte disto é com armamento nuclear de maneira que atualmente deve haver em torno de 50.000
bombas atômicas.

Na segunda guerra mundial foram utilizadas
100.000 bombas arrasa-quarteirão somando 2 megatons de poder destrutivo que equivale a uma única bomba atômica! Uma
guerra mundial iria equivaler a uma segunda guerra mundial por segundo, praticamente uma bomba arrasa quarteirão para cada família do planeta Terra!

A desigualdade social e a má distribuição de recursos gera violência, baixo nível de qualidade de vida, descontentamento, neurose e por fim o caos social. E quanto à poluição então? O que não faltam são meios pelos quais a espécie humana polui o planeta, e em muitos casos não por falta de outros meios não poluentes, mas sim por interesses puramente capitalistas.

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Estudo. Equação Biostronômica

E no que diz respeito à disponibilidade de água potável não preciso nem citar. Estatísticas ecológicas mostram que a espécie humana está provocando gradativamente uma extinção em massa de espécies animais e vegetais.
Todaesta poluição, desmatamento e caça indiscriminada além de poderem provocar um lento envenenamento químico e escassez acentuada de recursos podem também desencadear fenômenos naturais catastróficos.

Todo este discurso ecológico já é bem conhecido de todos a ponto de se tornar redundante, porém nunca é demais apertar na mesma tecla quando esta significa a preservação do planeta Terra e da nossa própria espécie. E também não quero aparentar ser apocalíptico, até porque penso que tudo isto faz parte do processo evolutivo e segue uma lógica bastante visível: somos uma espécie de animais que “recentemente” atingiu um limiar desenvolvido de inteligência e autoconsciência, e que pelo fato de ainda carregar em seus genes comandos do tipo “sobrevivência na selva” e “cada um por si”, a inteligência apesar de possuir suas vantagens (conforme listado no fator VI) quando está associada a propensões de ordem primitiva gera a possibilidade de autodestruição da espécie.

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Estudo. Equação Biostronômica

Considerando a nossa espécie como exemplo (até porque é o único disponível), quantas são as civilizações que ainda existem, por ainda estarem (como nossa espécie está) em uma fase de transição evolutiva ou por terem superado esta fase de “adolescência evolutiva” sem se auto destruírem?

Sinceramente sou otimista no que diz respeito ao potencial da inteligência, penso que a inteligência relacionada com a capacidade de aprendizagem mediante erro, supere a boçalidade. Deste modo creio (e na verdade também espero) que se surgiram outras espécies inteligentes e autoconscientes na Via Láctea, que mais da metade não tenha se auto destruído.

Fabiano Teixeira Leite
Bibliografia: Cosmos - Carl Sagan, Os Dragões do Éden - Carl Sagan, Sós no Universo?
Peter Ward e Donald Brownlee, Civilizações Extraterrenas – Isaac Asimov


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

FAb investigou oficialmente os Ovnis

Ufólogo civil participou...

O SIOANI contou com a participação de vários militares e civis que eram representantes em várias partes do País e colaboravam com o envio de várias ocorrências. Para a época de ditadura militar, reflito hoje que foi uma abertura muito positiva.

Assim, ufólogos, como por exemplo, Antônio Pedro de Souza Faleiro, registrado como IOANI – Investigador de Objetos Aéreos Não Identificados n° 12 e seu pai Antônio Souza Faleiro (IOANI 11) colaboraram enviando seus relatórios de ocorrência acontecidos na cidade de Passa Tempo, em Minas Gerais. Em meus arquivos possuo esses relatórios originais destes dois conceituados pesquisadores que serão divulgados em artigo posteriormente.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Lixo Espacial

Além de todo o lixo que é produzido aqui na terra o ser humano esta conseguindo poluir o espaço. É o chamado lixo espacial, trata-se de toneladas de pedaços de satélites, naves, estágios de foguetes e outras coisas que as missões espaciais americanas e russas deixaram no espaço, são quase 6 mil artefatos que sobrevoam o planeta.

O problema é que esse lixo representa um perigo para as estações espaciais e para o ônibus espacial e seus tripulantes. Ainda é um problema para as comunicações, pois esses destroços pode, destruir satélites, interrompendo as comunicações aqui na terra.

Quando a órbita desses corpos se aproximam muito da atmosfera terrestre eles acabem entrando na atmosfera terrestre. A maioria queima na reentrada ou cai no mar, mais pode acontecer de atingirem a terra. A probabilidade dos destroços caírem no mar é maior apenas porque o mar representa cerca de 74% da superfície terrestre e a maiorias dos continentes tem poucas áreas habitada.

Nem mesmo a lua ficou livre do lixo, as missões que pousaram no nosso satélite natural deixaram lá muitos equipamentos (assim eles traziam menos peso na volta) que hoje são apenas lixo lunar. Esperamos que as agencias espaciais passem a se preocupar mais com esse problema, que mesmo parecendo ficção e muito serio.
Lixo espacial que caiu em maio de 2000 na Cidade do Cabo, acredita-se tratar-se de um tanque de combustível de um foguete americano Delta 2.
















Circular Astronômica - Eclipse Total da Lua

Circular Astronômica
Eclipse Total da Lua
28 de Agosto de 2007
http://www.uranometrianova.pro.br/circulares/circ0030.htm

Simuladores de Órbita

Quando o satélite orbíta a Terra em uma órbita altamente elíptica, você pode facilmente ver como ele reduz de velocidade quando se move para longe da Terra, e como ele aumenta de velocidade quando se aproxima da Terra. É um efeito similar a quando você atira uma bola para o alto. A bola reduz de velocidade enquanto sobe até sua altura máxima, e aumenta de velocidade quando cai.

Nesta simulação da Segunda Lei de Kepler, o satélite é conectado ao centro da Terra por uma linha reta. Observe a área varrida por esta linha. Quando o satélite está longe da Terra, esta linha é longa e o satélite se move devagar. Quando o satélite está próximo da Terra, a linha é curta e o satélite se move rapidamente. O comprimento da linha e a velocidade do satélite são tais que, em qualquer parte da órbita do satélite, a linha varre a mesma área em um mesmo intervalo de tempo.

Veja a imagem em animação:
http://astro.if.ufrgs.br/Orbit/orbit2.htm



Planeta Extrasolar é Capaz de abrigar vida?

Prof. Renato Las Casas (30/04/07)

Nos últimos dias (final de abril/07) temos lido e ouvido no rádio; jornal; televisão; internet; etc.: -Descoberto um planeta extrasolar capaz de abrigar vida. Creio que deveríamos ser mais prudentes ao fazermos tal afirmativa. Seria mais prudente dizermos (e pensarmos): -Obtidos indícios da existência de um planeta extrasolar no qual não podemos descartar a possibilidade da existência de condições para abrigar vida.

Ofuscamento

Vermos um planeta orbitando uma estrela (que não o Sol) é equivalente a vermos , à noite, um mosquitinho dando voltas em torno de uma lâmpada de poste acesa, a alguns quarteirões de distância. Não conseguimos ver o mosquitinho (mesmo com um binóculo ou telescópio!) porque a forte luz da lâmpada ofusca tudo ao seu redor. Da mesma forma a luz de uma estrela ofusca todo o seu “entorno imediato”. Isso porque a luz que vem em nossa direção diretamente da estrela é muitíssimo mais forte que a luz (também da estrela) que é refletida pelo planeta.

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Observação Indireta

Entretanto, podemos perceber a presença de um planeta em torno de uma estrela de maneiras indiretas. Por exemplo: Existem estrelas que apresentam um certo “balançar” em relação às estrelas de fundo. Como explicar esse balançar? Uma hipótese é a presença de algum corpo (que não vemos porque está ofuscado pela estrela) preso gravitacionalmente a essa estrela. Esse “balançar” que vemos é porque a estrela, assim como sua companhia, estão girando em torno de um ponto do espaço (que de certa forma representa a distribuição espacial de massa do conjunto) ao qual chamamos “centro de massa”.

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Na maioria das vezes esse balançar pode ser tão “insignificante” que para podermos percebê-lo necessitamos utilizar técnicas que necessitam de medidas cuidadosas e precisas da luz que nos chega dessa estrela. Um método que tem nos dado muitos bons e confiáveis indícios da existência de planetas extrassolares consiste na observação de desvios da luz que recebemos da estrela, hora para o vermelho, hora para o azul. (Algo semelhante ao som da buzina do carro que passa pelo nosso em uma estrada: Quando o outro carro se aproxima do nosso, ouvimos sua buzina mais aguda; quando se afasta, ouvimos mais grave.)



Quando a estrela, devido à sua rotação em torno do "centro de massa" de seu sistema planetário, se aproxima de nós, recebemos a sua luz desviada para o azul (maior freqüência); quando ela se afasta, recebemos a sua luz desviada para o vermelho (menor freqüência).

Não observamos esse fenômeno para a luz em nosso cotidiano, pois para o desvio ser suficientemente grande para ser percebido mesmo pelos mais sensíveis instrumentos são necessárias velocidades das fontes comparáveis à velocidade da luz (muitíssimo superiores às mais altas velocidades do nosso dia a dia).

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Novos Indícios

Já foram obtidos indícios de aproximadamente 220 planetas extrasolares. A maioria desses indícios foi obtida pelo método descrito acima, através de medidas espectroscópicas da luz que nos chega da estrela em torno da qual acreditamos estar o planeta.

O mais novo indício de planeta extrasolar publicado também foi obtido por essa técnica, em torno de uma fraca estrela da constelação de Libra, de nome "Gliese 581". (O nome vem do fato dela ser a estrela 581 no "Gliese Catalogue of Nearby Stars)". Essa é uma "anã vermelha"; estrela como a grande maioria (cerca de 80%) das estrelas vizinhas ao nosso sistema planetário.

Anãs vermelhas são estrelas de baixa temperatura (daí as suas cores vermelhas) e pouco brilho (dezenas de vezes inferior ao brilho intrínseco do Sol). A Gliese 581 é uma das 100 estrelas mais próximas do Sistema Solar, distando "apenas" 20,5 anos-luz de nós (a distância Terra - Sol é cerca de 0,000.016 anos-luz) e já vinha sendo "alvo" na busca por planeta extrasolar há mais de dois anos.

Em 2005, uma equipe formada por astrônomos da Suiça, França e Portugal, interpretando dados da luz dessa estrela obtidos pelo mais preciso espectrógrafo já construido (HARPS: High Accuracy Radial Velocity for Planetary Searcher) acoplado a um telescópio de 3,6 metros de diâmetro (do Observatório Europeu Austral, localizado no Chile), concluiu pela existência de pelo menos um planeta orbitando a Gliese 581. Seria um planeta gigante (do tipo de Netuno; com massa cerca de 15 vezes à massa da Terra) muito próximo à estrela central (gastando apenas 5,4 dias terrestres para orbitá-la.

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Alguns dados, não muito conclusivos, pareciam indicar a existência de pelo menos mais um planeta em torno dessa estrela. Novos dados foram obtidos, e seus resultados apresentados em artigo publicado dia 24 passado. Esses dados apresentam "fortes" indícios da existência de 3 planetas orbitando a Gliese 581.

Um deles, chamado "Gliese 581c", gastaria 13 dias terrestres para completar uma volta em torno da estrela central, estando a aproximadamente 11 milhões de km dela (a distância Terra - Sol é de aproximadamente 150 milhões de km). Essa distância pode dar a esse planeta uma temperatura superficial entre 0 e 40 oC.; sendo assim possível haver água líquida em sua superfície (condição para o desenvolvimento de vida).

Essa temperatura, entretanto, pode ser bem mais alta, caso o planeta apresente atmosfera que produza "efeito estufa". Além disso, por estar muito próximo da estrela central, efeitos de maré podem ter levado esse planeta a ficar com a mesma face constantemente voltada para ela (Assim como aconteceu com nossa Lua, que fica com a mesma face permanentemente voltada para a Terra).

Assim sendo, a face iluminada do planeta seria extremamente quente e a face escura extremamente fria. Temperaturas condizentes com água líquida só seriam encontradas na faixa intermediária entre essas duas metades do planeta. Vejam que água líquida na superfície desse planeta é apenas uma possibilidade que julgamos viável quando analisamos o brilho de sua estrela central e a distância do planeta a ela.

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O Gliese 581c estaria na região que consideramos "zona habitável" de seu sistema planetário. Existem técnicas que podem nos falar diretamente, com relativa confiabilidade, da presença de vapor d'água em um planeta extrasolar, mas para isso é necessário que o planeta passe, visto pelos nossos equipamentos, em frente à estrela central (deve haver a "coincidência" do plano da órbita do planeta não ser inclinado em relação à nossa linha de visão); o que ainda não sabemos se acontece com o Gliese 581c.

A massa do Gliese 581c deve ser pouco superior a 5 vezes a massa da Terra (Esse cálculo depende da presença de outros planetas no sistema dessa estrela e da inclinação do plano orbital desse sistema em relação a nós). Se ele for um planeta formado basicamente por rochas, seu tamanho deve ser aproximadamente 1,5 vezes o tamanho da Terra e a gravidade em sua superfície aproximadamente o dobro da gravidade na superfície do nosso planeta.

Se ele for formado basicamente por gelo, seu tamanho deve ser aproximadamente 2 vezes o da Terra e a gravidade em sua superfície por volta de 1,25 vezes à gravidade na superfície de nosso planeta. Apesar de, por enquanto, só podermos falar de condições para o desenvolvimento de vida no Gliese 581c como uma vaga possibilidade, esse possível planeta certamente "fará história".

Nos próximos anos ele não apenas será um dos objetos mais pesquisados em nossa busca por vida extraterrestre, como também já está dirigindo a atenção de vários desses pesquisadores para outras estrelas anãs vermelhas nas vizinhanças de nosso sistema planetário. Independentemente dessas pesquisas serem frutíferas ou não, a Gliese 581 trouxe novas esperanças na nossa busca por companhia no Universo!

http://www.observatorio.ufmg.br/pas75.htm

Vida Extraterrestre

Na nossa galáxia existem centenas de milhões de estrelas


Prof. Renato Las Casas e Divina Mourão (01/11/98)

A ciência acadêmica não acredita em discos voadores, mas acredita em vida extraterrestre inteligente. Segundo os cientistas, não existem evidências que amparem a idéia de seres de outros planetas visitarem a Terra nem de que exista vida inteligente no sistema solar fora da Terra. As grandes distâncias entre as estrelas e a limitação das velocidades que os corpos podem adquirir tornam extremamente improváveis tais visitas.

Nas últimas décadas, porém, têm sido travadas discussões, constantemente atualizadas, sobre a probabilidade de vida extraterrestre. Por todo o mundo, milhões de dólares anuais são gastos em pesquisas que buscam a detecção de sinais emitidos por civilizações inteligentes extraterrestres.

O grande avanço tecnológico característico de nossa época pode estar nos levando a passos largos para a detecção desses sinais que, uma vez captados, confirmando a existência de vida extraterrestre inteligente, podem vir a alterar significativamente a sociedade humana atual.

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Vida Extraterrestre

A Equação De Frank Drake

Em 1961, Frank Drake, astrônomo norte-americano, atual diretor do Instituto SETI, publicou uma equação que pretende fornecer o número de civilizações inteligentes e que desenvolveram tecnologia em nossa galáxia. Essa equação ficou conhecida como equação de Frank Drake. Sábado próximo, como acontece todo primeiro sábado do mês, o Observatório Astronômico da UFMG na Serra da Piedade (OAP) estará aberto ao público com uma programação onde dará especial atenção ao tema vida extraterrestre e a essa equação.

Simplicidade

Ao se analisar pela primeira vez essa equação, percebe-se a sua grande simplicidade. Não é necessário intimidade com as ciências exatas para entendê-la. A equação de Frank Drake fornece o número de civilizações em nossa galáxia que são inteligentes, desenvolveram tecnologia e são assim capazes de emitir sinais detectáveis por nós, assim como de detectar sinais que nós emitimos ("civilizações comunicantes"). Chegamos a esse número através da multiplicação simples de sete termos ou parcelas. A equação de Frank Drake é simples, mas chegar a valores razoáveis para cada uma dessas sete parcelas é extremamente difícil e complicado.

A Equação
N = E x P x S x V x I x T x C; onde N é o número de civilizações comunicantes em nossa galáxia; E é o número de estrelas que se formam por ano na nossa galáxia; P é a fração, dentre as estrelas formadas, que possui sistema planetário; S é o número de planetas com condições de desenvolver vida por sistema planetário; V é a fração desses planetas que de fato desenvolve vida; I é a fração, dentre os planetas que desenvolvem vida, que chega a vida inteligente; T é a fração, dentre os planetas que chegam a vida inteligente, que desenvolve tecnologia e C é a duração média, em anos, de uma civilização inteligente.

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Vida Extraterrestre

Astronomia
Encontrar valores para E, P e S é tarefa da Astronomia. Com base nas teorias atuais sobre formação de estrelas, não parece que estamos sujeitos a grandes erros se considerarmos E = 10,P = 1 e S = 1. A multiplicação dessas três parcelas nos permite dizer que, por ano, se formam 10 planetas em nossa galáxia com condições de abrigar vida.

Biologia
Encontrar valores para V e I é tarefa da Biologia. Principalmente pela falta de outra amostra para a observação da vida, que não a Terra, temos grande incerteza na atribuição de valores para essas duas parcelas. Vamos considerar que de dez planetas com possibilidades de desenvolvimento de vida, essa só se desenvolva efetivamente em um deles (V=0,1). Da mesma forma, vamos considerar que de dez planetas que desenvolvam vida, um chegue a vida inteligente (I = 0,1).

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Ciências Sociais
T e C estão na área político-sócio-econômica. A incerteza na atribuição de valores para essas duas parcelas é imensa. Também aqui vamos considerar que de dez planetas que alcancem vida inteligente, um desenvolva tecnologia (T = 0,1). Por fim, qual a duração média de uma civilização comunicante? A resposta a essa pergunta também envolve algum conhecimento de Astronomia. (Note que essa pergunta está intimamente ligada ao futuro da espécie humana.

Há apenas cerca de 60 anos podemos nos intitular "civilização comunicante" e a Terra ainda poderá existir por uns 4,5 bilhões de anos, tempo de existência que ainda resta ao sistema solar.) Alguns mais pessimistas acreditam que já estamos prestes a nos auto-destruir. Alguns mais otimistas acreditam que o único limite para a nossa civilização é a destruição do sistema solar. Existe também a possibilidade de destruição de nosso planeta em uma colisão com um cometa ou meteoro. Mesmo sabendo que estamos sujeitos a um grande erro, vamos considerar C = 10 milhões.
Visão Otimista
A atribuição dos valores para as parcelas acima foi feita norteada pela ciência atual, porém, com visões bastante otimistas acerca da vulgaridade da vida no universo, de tal forma que podemos falar que estamos obtendo o número máximo possível de civilizações comunicantes em nossa galáxia. Após multiplicarmos as parcelas acima, chegamos a 1 milhão. Isso quer dizer que é possível que tenhamos 1 milhão de civilizações, só em nossa galáxia, que mais do que inteligentes, desenvolveram tecnologia e são capazes de se comunicar conosco.

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Vida Extraterrestre

O Instituto SETI

A palavra "SETI" é formada pelas iniciais de "Search for Extra Terrestrial Inteligence" (Em busca de inteligência extraterrestre). O objetivo do Instituto Seti, com sede nos Estados Unidos, é a pesquisa e o desenvolvimento de projetos educacionais relacionados ao estudo da vida no universo. O projeto é mantido pela Nasa, União Astronômica Internacional e várias instituições públicas e privadas.

A pergunta principal que se pretende responder através desse instituto - "Estamos sozinhos no universo?" - vem acompanhada de outras do tipo: Como o desenvolvimento biológico em nosso planeta se enquadra no cenário global do desenvolvimento no universo?

Inteligência é um evento raro ou comum no universo? Civilizações tecnológicas duram longos períodos ou se auto-destroem ou simplesmente desaparecem em alguns séculos, quem sabe vítimas de alguma catástrofe? Para responder a essas perguntas, o Instituto Seti realiza pesquisa em diversas áreas do conhecimento - Astronomia, Ciências da Terra, Evolução Química, Origem da Vida, Evolução Biológica, Evolução Cultural.

O Projeto Fênix

O principal projeto do Instituto Seti é o Fênix (pássaro mitológico do Egito antigo que renasce das cinzas), que se dedica à detecção e análise de ondas de rádio (na faixa de 1.000 a 3.000 MHz) vindas do espaço, procurando identificar algum sinal produzido artificialmente (por algum ser inteligente).

Para isso, o projeto Fênix gasta entre quatro e cinco milhões de dólares anualmente e utiliza os maiores radiotelescópios do mundo. Os alvos são estrelas dentro de uma vizinhança relativamente grande do Sol. Todas as estrelas observadas até hoje estão a uma distância inferior a 200 anos-luz do Sol (um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano e equivale a 9,5 trilhões de Km).

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Rádio Telescópio de Arecibo (Porto Rico) - O maior do mundo

O Que São Radiotelescópios

Os radiotelescópios são grandes antenas capazes de detectar ondas eletromagnéticas com freqüência de vibração na faixa conhecida por rádio (como as ondas para transmissão de rádio e televisão e também por radares militares). Entre as estrelas há muita poeira e muito gás.

Qualquer sinal (onda eletromagnética) emitido por uma estrela vai sendo absorvido à medida que avança por esse meio interestelar. A taxa de absorção das ondas eletromagnéticas no meio interestelar varia com a freqüência da onda. Ondas eletromagnéticas na faixa rádio são pouco absorvidas, o que faz com que elas possam ser detectadas a grandes distâncias do ponto emissor.

No projeto Fênix, são detectadas ondas de rádio na faixa de 1.000 a 3.000 MHz (microondas). Se uma civilização está emitindo alguma radiação com o intuito de ser detectada por outra civilização inteligente, é possível que emita esse sinal próximo à freqüência de 1.420 Hz, que corresponde à freqüência de uma radiação natural do hidrogênio interestelar, que existe em grande quantidade por todo o universo.

Qualquer civilização inteligente deve saber disso e ter aparelhos capazes de fazer medidas nessa faixa do espectro. Existem algumas características que permitem saber se uma onda eletromagnética foi produzida por algum processo natural ou por alguma inteligência, além de sinais codificados em um ritmo, por exemplo, que seriam de fácil evidência.

Uma delas é a "largura espectral" de linhas, isto é, se estivéssemos captando um som em um rádio, por exemplo, tanto maior seria a largura espectral de uma linha quanto mais se girasse o botão de sintonia do rádio, continuando a captar aquele som. Sinais naturais têm grande largura espectral; sinais artificiais podem ser produzidos com baixas larguras espectrais. O projeto Fênix procura identificar sinais com largura espectral inferior a 300 Hz.

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Vida Extraterrestre

Enviamos Nossos Sinais?

De uma maneira não intencional, o homem tem emitido continuamente, há mais de 50 anos, sinais capazes de ser detectados fora do sistema solar, tais como ondas eletromagnéticas produzidas por transmissões de alta freqüência de rádio, televisão e radares.

Calcula-se que as nossas primeiras transmissões de televisão já devem ter alcançado mais de 100 estrelas. Uma civilização inteligente que detectar esses sinais, mesmo não decodificando-os, será capaz de obter muitas informações sobre nosso planeta e a humanidade, como períodos de revoluções e distribuição do homem sobre a superfície da Terra.

Os cientistas em geral não têm muito interesse em enviar sinais codificados para o espaço, esperando retorno, devido ao grande tempo que demorariam para receber tal retorno. A resposta a um ""Oi"" que déssemos para uma estrela que se encontra a 100 anos-luz de nós (um ano luz é a distância que a luz percorre em um ano, equivalente a 9,5 trilhões de quilômetros) demoraria 200 anos, por exemplo, para chegar.

Têm sido enviados pouquíssimos sinais codificados para o espaço, sem obedecer a nenhum programa ou estratégia; de uma maneira quase simbólica. Em 1974, foi transmitida uma mensagem do Observatório de Arecibo, em Porto Rico. Essa mensagem é uma codificação simples de uma figura descrevendo o sistema solar, os componentes importantes para a vida, a estrutura do DNA e a forma humana. Essa mensagem foi transmitida na direção do aglomerado globular de estrelas M13, que se encontra a 25.000 anos-luz da Terra.

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