sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

A Sentença Divina

Por Edgard Armond

Extraído de “Os Exilados da Capela”, obra de não-ficção, apresentada como “ensaio de reconstituição histórico-espiritual do mundo, realizada com auxílio de inspiração”, tendo como Guia Espiritual Entidade denominada Razin.

O Autor foi, por 27 anos ininterruptos, Secretário-geral da FEESP – Federação Espírita do Estado de São Paulo. Vale transcrever a epígrafe, pelo Guia Espiritual:
“Queiram ou não queiram os homens, com o tempo, a luz da verdade se fará nos quatro cantos do Mundo”.

Ia a meio o ciclo evolutivo da Terceira Raça, cujo núcleo mais importante e numeroso se situava na Lemúria quando, nas esferas espirituais, foi considerada a situação da Terra e resolvida a imigração para ela de populações de outros orbes mais adiantados, para que o homem planetário pudesse receber um poderoso estímulo e uma ajuda direta na sua árdua luta pela conquista da própria espiritualidade.

A escolha, como já dissemos, recaiu nos habitantes da Capela.

Eis como Emmanuel, o espírito de superior hierarquia, tão estreitamente vinculado agora ao movimento espiritual da Pátria do Evangelho, inicia a narrativa desse impressionante acontecimento:
“Há muitos milênios, um dos orbes do Cocheiro, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um, dos seus extraordinários ciclos evolutivos...Alguns milhões de espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e de virtudes...”
E, após outras considerações, acrescenta:
"As Grandes Comunidades Espirituais, diretoras do Cosmo deliberaram então, localizar aquelas entidades pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua”.

Dái-nos, pois, assim, Emmanuel, com estas revelações de tão singular natureza, as premissas preciosas de conhecimentos espirituais transcendentes, relativos à vida planetária – ­conhecimentos esses já de alguma forma focalizados pelo Codificador – e que abrem perspectivas novas e muito dilatadas à compreensão de acontecimentos históricos que, de outra forma – como aliás com muitos outros tem sucedido – permaneceriam na obscuridade ou, na melhor das hipóteses, não passariam de lendas.

Aliás, essa permuta de populações entre orbes afins de um mesmo sistema sideral, e mesmo de sistemas diferentes, ocorre periodicamente, sucedendo sempre a expurgos de caráter seletivo; como também é fenômeno que se enquadra nas leis gerais da justiça e da sabedoria divinas, porque vem permitir reajustamentos oportunos, retomadas de equilíbrio, harmonia e continuidade de avanços evolutivos para as comunidades de espíritos habitantes dos diferentes mundos.

Por outro lado é a misericórdia divina que se manifesta, possibilitando a reciprocidade do auxílio, a permuta de ajuda e de conforto, o exercício enfim, da fraternidade para todos os seres da criação. Os escolhidos, neste caso, foram os habitantes de Capela que, como já foi dito, deviam dali ser expurgado por terem-se tornado incompatíveis com os altos padrões de vida, moral já atingido pela evoluída humanidade daquele orbe.

Resolvida, pois, a transferência, os milhares de espíritos atingidos pela irrecorrível decisão foram notificados do seu novo destino e da necessidade de sua reencarnação em planeta inferior.

Reunidos no plano etéreo daquele orbe, foram postos na presença do Divino Mestre para receberem o estímulo da esperança e a palavra da Promessa, que lhes serviriam de consolação e de amparo nas trevas dos sofrimentos físicos e morais, que lhes estavam reservados por séculos.

Grandioso e comovedor foi então o espetáculo daquelas turbas de condenados, que colhiam os frutos dolorosos de seus desvarios, segundo a lei imutável da eterna justiça.
Eis como Emmanuel, no seu estilo severo e eloqüente, descreve a cena:

“Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes. Com a sua palavra sábia e compassiva exortou aquelas almas desventuradas à edificação da consciência pelo comprimento dos deveres de solidariedade e de amor, no esforço regenerador de si mesmos.
Mostrou-Ihes os campos de lutas que se desdobravam na Terra, envolvendo-os no halo bendito de sua misericórdia e de sua caridade sem limites. Abençoou-Ihes as lágrimas santificadoras, fazendo-Ihes sentir os sagrados triunfos do futuro e prometendo-Ihes a sua colaboração cotidiana e a sua vinda no porvir (sem destaque no original).
Aqueles seres desolados e aflitos, que deixavam atrás de si todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura, reincarnar-se-iam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. Por muitos séculos não veriam a suave luz de Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia”.

E assim a decisão irrevogável se cumpriu e os exilados, fechados seus olhos para os esplendores da vida feliz no seu mundo, foram arrojados na queda tormentosa, para de novo somente abri-los nas sombras escuras, de sofrimento e de morte, do novo "habitat" planetário.

Foram às coortes de Lúcifer que, avassaladas pelo orgulho e pela maldade, se precipitaram dos céus as Terras, que daí por diante passou a ser-lhes a morada purgatorial por tempo indefinido (sem destaque no original).

E após a queda, conduzida por entidades amorosas, auxiliares do Divino Pastor, foram os degredados reunidos no etéreo terrestre e agasalhados em uma colônia espiritual, acima da crosta, onde, durante algum tempo, permaneceriam em trabalhos de preparação e de adaptação para a futura vida a iniciar-se no novo ambiente planetário.

Um comentário:

Anônimo disse...

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